O Brasil chegou a esta Copa carregando a fama de pentacampeão e favorito ao hexa. Do outro lado, um Marrocos que terminou em quarto lugar no Mundial passado, a melhor campanha da história de uma seleção africana, e que hoje está no ranking mundial bem perto da Seleção. Diante desse adversário, o Brasil precisava de uma estreia de autoridade. Não teve. Ficou abaixo do que o peso da camisa exige.
No segundo tempo, o quadro mudou, mas não o suficiente. Ancelotti tirou Casemiro e Ibañez, ambos amarelados, e colocou Fabinho e Danilo. A Seleção passou a controlar melhor o meio-campo e reduziu os espaços do Marrocos. Depois, trocou Paquetá e Igor Thiago por Matheus Cunha e Luiz Henrique, indo para um 4-2-4. O jogo perdeu intensidade, ficou travado, e o Brasil teve mais posse sem conseguir transformar isso em chances claras. Faltou criatividade para furar uma marcação marroquina que, naquele momento, já dava sinais de cansaço físico.
A grande verdade incômoda desta estreia é simples: o Brasil entrou em campo com uma versão que já tinha mostrado problemas nos amistosos contra Panamá e Egito, e Ancelotti insistiu nela mesmo sabendo que não funcionava. O resultado, no fim, até pode ser visto como aceitável diante de um adversário que chega forte ao Mundial. Mas a atuação coletiva foi pior do que o placar sugere. Times que antes eram tratados como "menores" hoje jogam de igual para igual com o Brasil, e em alguns trechos até melhor taticamente. Essa é a mensagem que a estreia deixou, e ela não pode ser varrida para debaixo do tapete só porque o time empatou no fim.
A escalação inédita, com Ibañez improvisado na lateral direita, foi uma aposta de Ancelotti que não deu certo no primeiro tempo. Ele só corrigiu no intervalo, quando já era tarde para evitar o sufoco inicial. Raphinha não tem desculpa para entregar uma atuação tão apagada quanto a que fez: discreto durante os 90 minutos, sem produção ofensiva relevante. Igor Thiago, escolha do treinador para o ataque, desperdiçou as duas chances claras que teve. E mesmo com cinco substituições liberadas, Ancelotti optou por não colocar Endrick em campo, decisão que já gerou reação forte da torcida. Com o elenco que o Brasil tem, era obrigação entregar mais do que isso na estreia.
O sentimento que fica é de alerta, não de pânico. O ponto está garantido, mas o caminho ainda está longe de convencer. Falta coragem nas escolhas, falta intensidade desde o primeiro minuto e falta criatividade para furar marcações organizadas. Se a Seleção quer repetir a história, vai precisar jogar muito melhor do que jogou contra o Marrocos.

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